AFARAM



>AS FAMÍLIAS DO DOENTE MENTAL E O ASSOCIATIVISMO

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É fundamental que as famílias saiam do seu isolamento ou marginalização, que só agravarão as suas dificuldades.

É também essencial que se tornem pró – activas, que adoptem atitude de intervenção cívica, de defesa dos direitos, interesses e qualidade de vida dos doentes e seus familiares. A situação da saúde mental no país exige a militância de todos. Os principais interessados em melhor prestação de cuidados têm de tornar-se interventores, não podem esperar que outros actuem em vez deles próprios. Têm de adquirir voz própria, falar por si mesmos.

“O que nesta curta mensagem se oferece ao leitor é apenas uma breve sinalização do fenómeno associativo na área da doença mental. O que se pretende é que as pessoas, doentes e familiares, que têm de enfrentar as extremas dificuldades de uma doença mental grave e persistente, de que a esquizofrenia é um exemplo modelar, se sintam encorajadas e convidadas a recorrer ao associativismo, para tirar dele as vantagens, os apoios e ajudas que este recurso comporta.

Dirigindo-nos especialmente aos familiares, há que destacar que é inegável o papel benéfico do apoio das famílias que têm condições para acompanhar e colaborar na prestação de cuidados que em casa o familiar doente carece, no seu dia a dia, no seu processo de tratamento, em colaboração estreita com os profissionais que se ocupam do doente. Quando tal envolvimento é possível há, de facto, uma evolução mais favorável da doença, com mais rápida melhoria, menor número e mais breves internamentos, menos recaídas, melhor recuperação.

Mas ocorre que uma doença mental grave, como a acima citada, pode gerar no seio da família também um efeito devastador. Além disso, para que alguém possa assegurar o papel de verdadeiro familiar cuidador requer-se, além do que será próprio de um bom familiar (a relação afectiva, a protecção, a ajuda, a solidariedade na adversidade…) também um mínimo de informação, educação, treino e outro apoio. É aqui que o associativismo adquire significado: por um lado, ele pode oferecer ao cuidador o apoio que ele carece para si próprio, para defesa e salvaguarda do seu próprio equilíbrio e saúde; por outro lado, a preparação para o papel de cuidador.

As formas que o fenómeno associativo reveste são várias. Exemplo das mais elementares são os chamados “grupos de ajuda mútua”. Uma forma mais elaborada de organização são as associações propriamente ditas.

Na RAM os doentes e familiares têm ao seu dispor a AFARAM (Associação de Familiares e Amigos do Doente Mental da Região Autónoma da Madeira). Os interessados podem aí encontrar acolhimento, um espaço de partilha, compreensão, informação de qualidade, formação, orientação, amigos, oportunidade de trabalhar dificuldades que se apresentam na relação com o familiar doente, etc., etc.

Todo este apoio não colide com o trabalho de médicos e outros profissionais de saúde.

Apenas o favorece e complementa.

Por outro lado, os utentes frequentadores do seu centro comunitário podem aí encontrar motivação, actividades formativas, ocupação, convívio, contacto com técnicos, actividades no exterior, apoio psicológico, etc., etc. ”

Mário C. Hipólito
(Assessor de Direcção de AFARAM; Jan.2008)


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